Subversão – ação de subverter (se) / rebeldia, insurreição. Subverter – destruir / arruinar / desorganizar / perverter / revolucionar / revolver / voltar de baixo para cima.
“Os primeiros meses pós-golpe ficaram marcados pela detenção de aproximadamente 50 mil pessoas.” Os militares realizaram uma “operação pente-fino”: de rua em rua, de casa em casa, procuravam suspeitos, livros, documentos, qualquer coisa que ligasse os acusados ao governo anterior ou à “subversão”. Não se prendiam “culpados”, mas todos os que não podiam provar inocência. Poucos líderes sindicais e estudantis escaparam da repressão.
A palavra subversão foi amplamente utilizada e comentada dos anos 60 aos 80, durante o regime militar no Brasil e também nos países da América Latina, e mesmo antes dos anos 60, na referência aos militantes dos movimentos sindicais ou do movimento comunista em suas diversas facções. O certo é que em alguns momentos da história esta palavra ganhou tamanha força que se tornou tão ameaçadora quanto o “bicho-papão”, aliás, em suas essências até se confundiam.
Quem eram os subversivos? Aqueles que acreditavam em igualdade de direitos (não a igualdade dos discursos liberais), em melhor distribuição de rendas e riquezas, em liberdade de escolha e expressão, em ter o direito de exercer uma cidadania participativa e etc., etc., etc.... De pervertido parece não ter nada nestes princípios. De destruidor? Sim. Ameaçavam acabar com uma ordem sócio-econômica que foi se tornando cada vez mais excludente, cruel e desumana. Se tomarmos o termo pela lógica da definição, nada parece mais contraditório do que o receio de desorganizar uma ordem que em si já trás tantas desordens: fome, pobreza, desemprego, abandono, exclusão.
A idéia de uma revolução popular armada causava tamanho terror aos dirigentes políticos e aos grupos burgueses dominantes, que usavam de qualquer método para coibi-la, até mesmo as mais cruéis e brutais torturas, Mas mesmo para aqueles jovens rebeldes, não seria fácil realizar uma revolução com ideal de igualdade, pois esta implica no fim de qualquer pratica autoritária. Uma revolução assim não é apenas um ato de rebeldia manifesta contra o “sistema” ou uma insurreição, um levante no qual o poder é tomado por um grupo em detrimento de outro, mas uma profunda transformação de práticas sociais, políticas, econômicas e mais ainda, dos valores humanos.
Dos anos 60 aos 80, a dialética da subversão desconstruiu a intenção de justiça social, construiu um modelo de democracia fundamentada no silêncio, na submissão e na omissão e fortaleceu ainda mais a ditadura do capital.Enquanto conceitos como subversão e autoritarismo estiverem sendo mal interpretados ou desconhecidos em suas essências, um pequeno grupo continuará mantendo o domínio sobre as maiorias utilizando justificativas inconsistentes e alienantes e práticas autoritárias serão mantidas – mesmo que com roupagens diferentes. Tais práticas são reforçadas por meio da apropriação indevida do termo democracia e da desconsideração da ampla e complexa diversidade de idéias, costumes, identidades e culturas, reforçando sempre a exclusão.
Então o que aconteceu com as pessoas que personificavam a subversão naqueles tempos que parecem ter emudecido hoje? E hoje não há nada com o que subverter? E o que aconteceu com os projetos de mudanças econômicas e sociais? Realmente parece que o mito da plena liberdade venceu a intenção da luta e o conformismo refletido em uma ordem em que há uma diversificação partidária no poder ( esquerdas, centros, direitas) mistifica a luta social, reforçando a idéia de que hoje a participação dos cidadãos nestas lutas e conquistas está completa.
Talvez este fosse o momento de retomar o termo e praticar atos subversivos contra valores que se enraizaram na desonestidade, no autoritarismo, na corrupção e na falta de ética.
Profª. Raquel Ribeiro
FRASES E PENSAMENTOS
"Um ser humano só se torna um ser humano quando encontra toda a humanidade." Rafael Garcia
"Dentro do impossivel é que se tira as possibilidades de se
fazer as coisas." Matheus Ribeiro
"Dentro do impossivel é que se tira as possibilidades de se
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007
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